32. Por que a pornografia é ruim para relacionamentos?

Com efeito, mesmo sem o querermos, começamos a considerar a mulher ou o homem como um objeto de consumo ao serviço do nosso prazer. A nossa visão torna-se parcial. Em vez de descobrirmos o nosso namorado(a) em toda a dimensão da sua personalidade, com o seu corpo, o seu espírito, o seu coração, a sua inteligência, a sua sensibilidade… reduzimos tudo a um só objeto de interesse: o prazer do corpo.

  • Nas nossas relações com os amigos ou no meio profissional, a nossa atitude será focalizada sobre o sexo, por causa da nossa memória embebida de imagens eróticas. Rapidamente, os que nos rodeiam darão conta disso e as relações homem/ mulher tornar-se-ão ambíguas.
  • No casal, a pornografia destrói o amor. Na verdade, o verdadeiro amor é dom de si, escuta do outro, delicadeza, ternura, atenção ao outro. E o nosso coração pode tornar-se cego, abafado pela tristeza e pelo desgosto que o erotismo gera.
  • Ora, o Criador, como sabemos, inscreveu no fundo do nosso ser uma aspiração à pureza. Esta aspiração permanece sempre em nós, mesmo se fizemos muito para a estragar…
    É possível reencontrar esta pureza, onde quer que estejamos.
    Em primeiro lugar, encontramo-la no Perdão de Deus. Depois, na vida de todos os dias, se nos mantivermos vigilantes: é uma atitude interior que consiste em afastar com simplicidade mas com firmeza, tudo o que pode amolecer o nosso coração (desviar um olhar, não dar asas à imaginação, não olhar para uma revista, para um cartaz …)
  • Tenhamos a certeza. Pouco a pouco, no meio de altos e baixos, a nossa boa vontade tomará o comando e reencontraremos a paz e a alegria do coração.
Testemunho

Claire e eu vivemos os dois primeiros anos do nosso casamento como um jovem casal “moderno” – saídas, amigos, vídeos, cinema… Queríamos ver tudo, conhecer tudo. Foi assim que fomos ver filmes eróticos.

Ríamos muito ao voltar dessas sessões, escondendo assim uma certa perturbação, um certo desgosto. Não queríamos deixar-nos agarrar pela culpabilidade. De fato, nos nossos encontros sexuais, já não era precisamente Claire que eu via e vice-versa. As imagens impunham-se-nos, de forma muito insidiosa e, de fato, afastavam-nos um do outro.

Foi depois de uma dura prova familiar que fomos levados a pôr-nos questões sobre nós mesmos e sobre a nossa vida. Compreendemos que essas imagens, conservadas na nossa memória, estavam a abafar o nosso amor. Decidimos nunca mais assistir e, de uma forma geral, nunca mais “engolir” tudo o que se apresentava a nós com a etiqueta de “moda”! Isso permitiu-nos ter uma vida mais conforme àquilo que realmente desejávamos.

Etienne

A biografia de Joana Beretta Molla (1922-1962)

Gianna Beretta nasce em Magenta (Milão, Itália) aos 04 de outubro de 1922. Desde sua primeira juventude, acolhe plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus ótimos pais. Esta formação religiosa ensina-lhe a considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, a ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração.

Durante os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos seus deveres, vincula sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente. Laureada em medicina e cirurgia em 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abre seu consultório médico em Mêsero (nos arredores de Milão). Especializa-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952 e, entre seus clientes, demonstra especial cuidado para as mães, crianças, idosos e pobres.

Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma «missão», aumenta seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Opta pela vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação «para formar uma família realmente cristã».

Inicia seu noivado com o engenheiro Pedro Molla. Prepara-se ao matrimônio com expansiva alegria e sorriso. Ao Senhor tudo agradece, e ora. Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955. Transforma-se em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, já é a radiosa mãe de Pedro Luís; em dezembro de 1957 de Mariolina e, em julho de 1959, de Laura. Com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.

Em setembro de 1961, no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião que salve a vida que traz em seu seio e, então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isto não aconteça.

Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: «Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei – e isto o exijo – a criança. Salvai-a». Na manhã de 21 de abril de 1962 nasce Joana Manuela. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória «Jesus eu te amo, eu te amo» morre santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A Serva de Deus repousa no cemitério de Mêsero, distante 4 quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).

«Meditata immolazione» (imolação meditada), assim Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, «uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria». É evidente, nas palavras do Santo Padre, a referência cristológica ao Calvário e à Eucaristia.

Foi beatificada por João Paulo II no dia 24 de abril de 1994, no Ano Internacional da Família. Foi canonizada por Giovanni Paolo II 16 maio de 2004

6 maneiras para a indulgência plenária na Semana Santa

No riquíssimo acervo das indulgências concedidas pela Santa Igreja, concessões diversas são dadas aos fieis por ocasião do Tríduo Pascal (Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Vigília Pascal) para a obtenção de indulgências plenárias, desde que atendidas as demais condições habituais*:

Quinta-Feira Santa
1) Recitação ou canto do hino eucarístico ‘Tantum Ergo‘ durante a solene adoração ao Santíssimo Sacramento que se segue à Missa da Ceia do Senhor;
2) Visita e adoração ao Santíssimo Sacramento pelo prazo de meia hora.
Sexta-Feira Santa

3) Participação piedosa da Veneração da Cruz na solene celebração da Paixão do Senhor.
Sábado Santo  
4) Recitação do Santo Rosário.
5) Participação piedosa da celebração da Vigília Pascal, com renovação sincera das promessas do Batismo.
Domingo de Páscoa
6) Participação devota e piedosa à benção dada pelo Sumo Pontífice a Roma e ao mundo (bênção Urbi et Orbi), ainda que por rádio ou televisão.
* Condições adicionais para obtenção de uma indulgência plenária:
1. Exclusão de todo afeto a qualquer pecado, inclusive venial.
2. Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e Oração pelas Intenções do Sumo Pontífice.
(i) estas condições podem ser cumpridas uns dias antes ou depois da execução da obra enriquecida com a Indulgência Plenária, mas é da maior conveniência que a comunhão e a oração pelas intenções do Sumo Pontífice se realizem no mesmo dia em que se cumpre a obra.
(ii) a condição de orar pelas intenções do Sumo Pontífice é cumprida por meio da oração de um Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ou uma outra oração segundo a piedosa devoção de cada um.

31. O que é o pecado original?

Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem para que eles fossem plenamente felizes como homens e como filhos de Deus, quer dizer, para que eles pudessem participar na vida íntima de Deus, pudessem realizar-se pela doação desinteressada deles próprios. E a sua vida começou assim.

  • Infelizmente, o drama aconteceu. O homem, seduzido pelo demônio que o faz duvidar da palavra de Deus, decide não depender de ninguém a partir desse momento e ser ele mesmo a sua própria luz. Ele decidirá por si próprio o que é bom e o que é mau. O homem volta deliberadamente as costas a Deus e separa-se assim da fonte do amor. É aquilo a que chamamos pecado original. Deus respeita a decisão do homem. Então é a quebra irreparável. A dos primeiros homens, da qual ainda hoje, cada um de nós vê as repercussões em si próprio e à sua volta.
  • A ruptura com Deus leva- à perda do relacionamento com Deus como filhos. Pela primeira vez diante d’Ele tem medo, tem vergonha. O homem se esconde: “Ouvi o ruído dos teus passos e tive medo.” (Gn 3,10). O homem vai para longe de Deus achando que é Deus que se afasta…
    – uma sede de liberdade. Esta utilizada pela primeira vez contra o amor, a partir desse momento fica dividida entre o que é bom e o que é mau. A consciência e a inteligência ficam obscurecidas. Então o homem já não sabe como as deve exercer de forma ordenada e coerente. E a própria vontade, que é o instrumento através do qual se exerce a liberdade, está enfraquecida. “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero é que pratico”, diz S. Paulo. Com efeito, a vontade é incapaz de se impor com determinação e autoridade como uma força mestra de ação (ela se deixa dominar por diversas paixões, paralisar pela sua culpabilidade; ela se demite…) Ela vai assim perturbar muitas vezes o crescimento da liberdade. E segue-se a perda da unidade profunda do ser, o homem fica dividido no interior dele mesmo.
    – uma ruptura nas relações. Com efeito, a decisão tomada pelo homem de só depender dele próprio e de existir para si e não para o outro propaga-se a todas as suas relações: acusamos o outro (o que me acontece é culpa dele). Passamos de aliados a rivais, tornamo-nos uma ameaça. Eu desconfio então dele e tenho medo; é por isso que o agrido e tento dominá-lo, ou então fujo dele… Ou então o vejo como um objeto para o meu próprio prazer. Não quero precisar do outro, queria que ele fosse como eu, e reivindicamos uma igualdade que acabaria com as diferenças… Tudo isto não preenche a necessidade de amor e o chamamento ao dom de si próprio que se encontra no mais fundo do coração do homem. Por isso, o homem vive uma dolorosa contradição interior, na relação consigo mesmo, com Deus e com os outros. Não é verdade que todos nós conhecemos, por experiência, um pouco desta realidade?
    – a relação com o mundo criado fica igualmente perturbada. O homem, que tinha recebido a missão de o “submeter” no e para o serviço do amor, vai ser fortemente tentado a trabalhar para manifestar o seu poder sobre ele e dele tomar posse.
  • Mas Deus não se conforma com este desperdício. Não é possível ao homem restabelecer por si mesmo a sua relação com Deus. Então Deus toma a iniciativa extraordinária de enviar ao nosso meio o seu próprio Filho, também Ele Deus, que se faz homem (Encarnação). Ao dizer “sim” e ao oferecer até o fim a sua vida por nós, Jesus Cristo nos libertou do pecado. Tornou novamente possível uma relação filial com o Pai. Cada homem, ao acolher a salvação, é restabelecido como tal, porque se torna o filho do seu Pai. É uma nova criação…

A investigação científica no Sudário

O Santo Sudário é o pano de linho puro, que foi utilizado para envolver o corpo de Jesus Cristo após sua crucificação, antes que este tenha sido levado ao Santo Sepulcro. Mede 4 metros e 36 centímetros de comprimento por 1 metro e 10 centímetros de largura. Encontra-se hoje na cidade de Turim, na Itália. No tecido encontramos manchas de sangue humano, com as marcas do flagelo e suplício sofridos por Jesus de Nazaré. Este pano é a prova maior da existência de Cristo e do que este sofreu.

Após a fotografia tirada do Santo Sudário em 1898, ficou mais fácil estudá-lo à luz da ciência, devido à nitidez da figura de frente e de costas. E desde então tem se discutido o assunto sem o apoio exclusivo da Fé, facilitando assim a aceitação por qualquer ser humano, de qualquer raça ou religião. É, sem dúvida, uma relíquia que tem muito a esclarecer sobre a História da Humanidade.

Em 1898, o fotógrafo Secondo Pia fotografou, pela primeira vez, o Santo Sudário. E desta forma, o grande segredo do mesmo foi revelado: o aparecimento de um corpo humano. Pia foi o primeiro homem a contemplar a figura de Jesus Cristo depois de dezenove séculos. Já com recursos mais aprimorados, em 1931, o Santo Sudário voltou a ser fotografado por Giuseppe Enchei. Pode-se estudar então os ferimentos do corpo de Cristo impressos no tecido. Entretanto, algo de muito curioso ocorreu. Ao ser revelada a fotografia, apareceu no negativo a figura de um homem de frente e de costas. Esta foi a primeira inversão negativo-positivo de uma fotografia. As manchas de sangue são claramente positivas na chapa, imagens normais. Deu-se a impressão de que as marcas foram feitas por contato direto. O mais importante desse estudo é a revelação não somente da forma, mas da expressão, do conteúdo espiritual. O rosto semita, que apesar das chagas tem um ar de majestade serena e com uma expressão de dever cumprido.

Grupo STURP

Este grupo era formado por 40 cientistas americanos, especializados nas mais diversas áreas: biologia, genética, química, física, entre outras. Os diversos estudos e testes realizados comprovaram em vários aspectos a autenticidade do Santo Sudário, e os resultados foram oficialmente divulgados após a reunião de encerramento, convocada em maio do ano 1981, em Nova Londres. Apenas um dos componentes do grupo afirmou que o Sudário era uma falsificação, Walter McCrone, mas seu embasamento teórico era falho e este sequer compareceu às reuniões para defender sua tese. Enfim, o Grupo STURP foi fundamental para precisar a veracidade do sangue humano encontrado no Sudário e, sendo assim, a vida e morte de Cristo.

Carbono-14

O Carbono-14 (C-14) é um método científico descoberto pelo Dr. Willard Libby, que busca datar a idade de materiais como o tecido através da quantidade de partículas de Carbono-14 encontradas no mesmo. Isso é possível porque os átomos de Carbono-14, que são radioativos, surgem na atmosfera da terra quando os raios cósmicos reagem ao nitrogênio do ar, e são absorvidos por plantas como o linho, material do Santo Sudário. A cada 5.700 anos a quantidade de Carbono-14 no tecido cai pela metade e, utilizando-se de métodos químicos e matemáticos torna-se possível datar a idade do material em questão. No caso do Santo Sudário, no entanto, este teste só veio trazer mais dúvidas. O primeiro resultado situou o linho no período de 1260-1390 d.C. Este disparate que negava a existência de Jesus Cristo ocorreu porque os cientistas não levaram em consideração os incidentes ocorridos com o Santo Linho, como os incêndios de 1516 e 1532, que podem ter reduzido a quantidade de C-14 no tecido, alterando a datação em até 600 anos. Após inúmeras controvérsias e testes anulados, o próprio inventor do método, Dr. Libby, se negou a utilizar o C-14 na datação do Santo Sudário. A última comprovação foi feita em 1995, quando o cientista russo Dimitri Kouznetsov demonstrou experimentalmente os efeitos do incêndio de 1532 sobre a quantidade de C-14 no Linho, datando-o então no século I d.C.

Moedas sobre as pálpebras

A partir da análise das fotos feitas do Santo Sudário, três cientistas da NASA, com poderosos amplificadores microscópicos, puderam detectar a presença de duas pequenas moedas, uma sobre a pálpebra do crucificado e outra mais abaixo. Com um estudo aprofundado e o auxílio da mais alta tecnologia, pode-se afirmar serem as moedas dos anos de 26 a 36, cunhadas por Poncius Pilatos em homenagem à sua mãe. Este fato comprova a história de Cristo e ajuda profundamente a situar o Santo Sudário na época correta. Estudos realizados por Mario Moroni confirmam a existência destas moedas no tempo de Pilatos.

Sangue humano no tecido

Os responsáveis pelos estudos de sangue no Sudário são John Heller e Baima Bollone, que comprovaram a presença de hemoglobina, ferro, proteínas, porfirina, albumina e sangue tipo AB, fator RH positivo na trama do Linho. Esta comprovação anula a hipótese de que a imagem possa ter sido feita por um artista, pois nem mesmo o mais perfeccionista dos pintores plásticos seria capaz de utilizar pelo menos 5 litros de sangue humano e, à pinceladas, constituir a imagem que é vista no Sudário. Além disso, o linho possui diversas camadas, e o estudo do sangue existente nas fibras comprova ter sido este absorvido pelo contato, pois nem todas as camadas estão impregnadas. Isto seria impossível de conseguir se fosse uma fraude.

O que você vê no Sudário.

Um Homem Torturado

O exame dos sinais visíveis sobre o corpo permite deduzir que o Homem do Sudário foi torturado, flagelado e crucificado. Na imagem de frente, o rosto apresenta sinais bastante claros de muitos traumas: tumefações na testa, nas arcadas superciliares, nos zigomas, nas faces e no nariz- este traz uma escoriação na ponta. No conjunto, o rosto tem um aspecto composto e sereno.

Os ombros estão erguidos. Nota-se uma grande equimose no nível da omoplata esquerda e uma ferida no ombro direito; poderiam ser atribuídas ao transporte de um patibulum (travessão da cruz). Os joelhos, especialmente o esquerdo, estão escoriados por quedas violentas. Fios de sangue estão presentes em todo crânio, e são mais evidentes na nuca e na testa.

São bem visíveis os antebraços e as mãos, cruzadas sobre o abdome, a esquerda sobre a direita. No pulso esquerdo há uma grande mancha de sangue causada por uma ferida grave. Embora a mão direita esteja parcialmente ocultada pela outra, o fio de sangue que escorre pelo antebraço indica que também o seu pulso devia ter ferida semelhante. São lesões provocadas por grandes cravos. Os dedos, bem visíveis estão alongados. nota-se que os dedos polegares não aparecem; isto porque a lesão do nervo mediano, provocada pelos cravos fincados nos pulsos, na altura do espaço de Desdot, obrigou os polegares a se contraírem e oporem-se a palma das mãos.

No lado direito da caixa torácica – no Sudário, é o lado esquerdo, porque a imagem é especular (como em um espelho, o lado direito é o lado esquerdo e vice-versa) em relação ao corpo – nota-se uma grande ferida que deve ter sido causada por uma ponta de lança.

Nas duas figuras, na anterior e na posterior, notam-se decalques de sangue que formam desenhos bastante regulares em todo o corpo. O sangue se coagulou em lesões lácero-contusas ensangüentadas de modo diferente, muitas vezes aos pares em sentido paralelo, causadas por chicotadas repetidas, cerca de 120. Evidentemente foram produzidas por dois homens (carrascos) postados um de cada lado do Homem do Sudário.

O pé direito devia estar apoiado diretamente no madeiro da cruz; o esquerdo estava posto sobre o direito; ambos foram pregados juntos nessa posição, e assim os fixou a rigidez cadavérica.

 

 

A Imagem em Negativo

As fotografias tiradas do Sudário determinaram uma reviravolta no interesse e no conhecimento dele, que até então era considerado como simples objeto de devoção. Em 1898, Secondo Pia, advogado e fotógrafo, com sua aparelhagem técnica daquele tempo, fotografou o Sudário. Levou logo as chapas à câmara escura para revelação. Aos poucos, começaram a revelar-se os primeiros contornos, e depois, o resto, cada vez mais evidente e rico de pormenores. Com grande surpresa, viu que a imagem da chapa era muito mais nítida e compreensível do que se via diretamente no sudário.

Como bom fotógrafo, Pia sabia que no negativo devia aparecer somente a inversão das luzes e das sombras em relação com a realidade: as zonas claras deviam sair escuras e vice-versa, a direita devia aparecer a esquerda e esta a direita. Como resultado, apareceria uma caricatura grotesca, a qual teria sentido só depois de passada para o positivo. Aí ao contrário, no negativo, estava a imagem positiva, tão real quanto outras que pia tivesse visto. O próprio afirma: “fechado em minha câmara escura e absorto em meu trabalho, senti uma emoção fortíssima, quando, durante a revelação, vi aparecer pela primeira vez, na chapa, o Sagrado Rosto, com clareza tal, que fiquei aturdido”.

Aquela primeira fotografia revelou esse segredo imprevisto e imprevisível e desde então se estuda o Sudário como um dos mistérios mais apaixonantes da antiguidade.

Posteriormente, usando um computador, realizaram-se várias elaborações da imagem presente no Sudário. Preparou-se um reforço e uma nova limpeza com o emprego de filtros. O uso de um procedimento matemático particular, permitiu certificar que a imagem não tem nenhum sinal de direção, e que portanto não pode ter sido pintada.

Durante as averiguações em 1978, fizeram-se milhares de fotografias, com as técnicas mais modernas, e macrofotografias científicas, radiografias, termografias, fotografias por transparências, etc.Muitíssimas outras fotografias foram feitas em 1988 durante a retirada de tecido para o exame com o carbono radioativo C14.

 

Análise com Microscópio

Em 1973, nomeou-se uma comissão para autenticar as fotografias tiradas em 1969; participava da comissão também um cientista protestante suíço, Max Frei Sulzer, perito em microvestígios e criminólogo de fama internacional, fundador e durante vinte e cinco anos diretor do serviço científico da polícia de Zurique.

Ele encontrou no sudário notável quantidade de pó atmosférico muito fino e tirou doze amostras de pó, usando fitas adesivas especiais, que podiam retirar os microvestígios do tecido sem danificá-lo.

As espécies de pólen identificadas no Sudário por Frei são 58; 17 delas se encontram na França ou na Itália. Três quartos são de plantas na Palestina, sendo muitas delas típicas e freqüentes em Jerusalém e arredores. Isso comprova que o Sudário estivera em Jerusalém. Toda a coleção das amostras de Frei Sulzer se encontra nos Estados Unidos desde 1988.

 

Uma Moeda de Pilatos

Graças a elaboração tridimensional, notaram-se dois objetos arredondados postos sobre as pálpebras (costume usado na época) ; logo se supôs que poderia tratar-se de pequenas moedas. A confirmação veio dos estudos aprofundados de Francis L. Filas, docente na Loyola University de Chicago.

Ele identificou a moeda que esteve sobre o olho direito do Homem do Sudário como um lepton, precisamente como um dilepton lituus, cunhado sob Pôncio Pilatos entre 29 e 32 d.C.

Com a técnica da sobreposição em luz polarizada, foram contados 74 pontos de congruência entre a moeda de Pilatos e a imagem sobre o olho direito. Como comparação, pode-se considerar que, para identidade de duas impressões digitais são suficientes 14 pontos coincidentes em sobreposição.

O que é o Sudário?

A palavra “Sudário”provém do Latim Sudarium, lenço com que se enxugava o suor do rosto e pano com que se cobria o rosto dos mortos; posteriormente, passou a designar o lençol usado para envolver cadáveres ou mortalha. Conservado em Turim (Italia) há mais de 4 séculos, o Sudário é um pano retangular de 4,36 metros de comprimento e 1,10 metros de largura.

O Sudário, para as características da sua pegada, é uma referência direta e imediata para ajudar a entender e meditar sobre a realidade dramática da Paixão de Jesus

O tecido, firme e forte é de puro linho e cor amarelada. A espessura do tecido é de cerca de 34/100 de milímetros, macio e fácil de dobrar. O peso avaliado aproximadamente, é de 2,450 Kg. O linho usado na tecedura do Sudário foi fiado à mão. Cada fio do tecido composto de 70-120 fibras tem um diâmetro variado e a torcedura em Z no sentido horário.

Incêndio

Em 1532, sofreu um incêndio, o qual causou queimaduras que percorrem todo o lençol. Estava dobrado duas vezes no sentido da largura e quatro vezes no sentido do comprimento, formando 48 sobreposições. estava guardado num relicário revestido de prata, da qual fundida, caíram gotas que queimaram em um dos cantos as várias camadas do tecido. Quando foi desdobrado, viu-se que estava danificado de modo simétrico.

Além disso, a água usada para apagar o incêndio e esfriar a caixa incandescente deixou muitos halos (marcas) na forma de losango, as quais circunscrevem as zonas que permaneceram enxutas.

Os triângulos claros são os remendos dos pontos queimados completamente, feitos pelas irmãs clarissas de Chambéry.

A Imagem no Tecido

O que interessa mais a quem observa o Sudário são sem dúvida, as duas figuras de corpo humano em tamanho natural. Elas se prolongam cabeça contra cabeça, uma de frente, a outra, de costas.

O sudário deve ter sido posto longitudinalmente em torno do corpo, para que as imagens pudessem formar-se daquele modo: o cadáver que deixou as duas marcas foi deitado sobre uma metade do lençol, o qual depois foi passado por cima da cabeça e estendido até os pés.

As duas figuras humanas foram formadas por manchas de dois tipos e de cores diferentes.

Dois estudiosos americanos, o engenheiro Kenneth E. Stevenson e o Filósofo Gary R. Habermas, sintetizaram assim a descrição do homem do Sudário: “a imagem é de um homem com barba e com mais ou menos 1,80m de altura. A idade é calculada em 30-35 anos e o peso em cerca de 80 Kg. É um homem bem constituído e musculoso.

A vós, São José, recorremos (Oração a São José)

S JosephA vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, tendo implorado o auxílio de vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio.

Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar favorável sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da Divina Família, o povo eleito de Jesus Cristo.

Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício.

Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas do Inimigo e de toda adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.

Amém.

30. E quando não se pode ter filhos, que fazer?

É evidentemente um grande sofrimento para um casal chegar à conclusão de que tem dificuldades em transmitir a vida. Na verdade, poucos casais são realmente estéreis – sem nenhuma probabilidade de gravidez – mas há alguns, aproximadamente 10%, que são hipo-férteis, quer dizer, levarão muito mais tempo para conceberem uma criança, tendo às vezes que fazer um tratamento.

  • Hoje fala-se muito de fecundação in vitro, praticada em laboratório.

De que se trata exatamente?

  • Este método consiste em, depois de ter provocado várias ovulações na mulher, retirar os óvulos e fecundá-los com os espermatozóides do marido. Obtêm-se assim vários embriões. Desses, três ou quatro são reimplantados no útero da mulher, os outros são conservados congelados em azoto líquido. Se os três (às vezes quatro) e mbriões implantados continuam normalmente a sua evolução, não é raro que se proponha uma “redução embrionária”, quer dizer, um aborto de um ou dois embriões que, no entanto, tinham conseguido se implantar! Quanto aos embriões conservados no congelador, serão utilizados numa outra gravidez na mesma mulher ou noutra a quem serão doados, ou então serão utilizados em experiências científicas.
  • A estes métodos de base podem ser acrescentadas algumas variantes: em caso de esterilidade grave do marido ou da mulher, os óvulos podem ser retirados de outra mulher ou os espermatozóides de um doador de esperma.

Se estes métodos representam proezas médicas e técnicas importantes, não deixam de pôr alguns problemas graves:

A fecundação acontece fora do ato conjugal: esta separação entre o ato que exprime de forma privilegiada o amor dos pais e o ato que está na origem da vida faz com que o seu aparecimento decorra de um ato técnico, e não como conseqüência imediata de um ato de amor. A vida perde então o seu vínculo fundamental com o amor… mesmo que essa criança seja, como é lógico, amada pelos seus pais.

Estas técnicas, como já vimos, requerem a fecundação de um certo número de embriões, dos quais uma parte será suprimida voluntariamente ou na seqüência de manipulações técnicas (descongelamento por exemplo).

Para os médicos é grande a tentação de utilizar estas técnicas o maior número de vezes possível, para treinarem e melhorarem a técnica propriamente dita, a fim de adquirirem cada vez mais experiência, até numa perspectiva de concorrência entre equipes. A satisfação de se sentir senhor da vida, de se julgar na origem da vida, não será uma motivação absolutamente ambígua, até mesmo perigosa, para os casais e a sociedade?

O tratamento da hipofertilidade deveria ter como fim restaurar no homem ou na mulher, ou nos dois, a possibilidade de que o ato sexual, sinal e expressão do seu amor, fosse também fonte de vida.
Ora, a técnica médica oferece atualmente a possibilidade da vinda de uma criança sem no entanto curar o homem ou a mulher da sua doença.

Para os casais, terem uma criança é verdadeiramente um direito? Uma criança não é um “objeto” necessário para o desenvolvimento harmonioso de um casal, mas precisa ser o fruto do amor antes de ser o fruto de um êxito técnico. É um dom, sinal da dádiva mútua dos esposos num ato que implica os seus corpos e os seus corações de forma indissociável. Não se “faz” uma criança. Ela não é propriedade dos seus pais, mesmo desde a concepção.

Abdicar do recurso a estes métodos, pode ser um real sacrifício para certos casais. Só entendendo profundamente este mistério da vida como dom de Deus e socorrendo-se da graça do Senhor se poderá viver uma tal prova.

  • Que soluções existem para estes casais que não podem ter filhos? Primeiro, saber esperar e não se precipitarem numa solução médica complexa quando a paciência pode ser suficiente. Depois, pensar em outro tipo de tratamento para a hipofertilidade e não ver a fecundação artificial como única solução, abandonando outras vias de investigação. Por fim, talvez até pensar em outro tipo de fecundidade, usando o seu tempo, a sua energia, os seus talentos numa causa que lhes interesse profundamente… ou então virarem-se para a hipótese da adoção de uma ou várias crianças que encontrarão, graças a eles, a família e o amor de que foram despojados logo no começo das suas vidas.
Testemunho

Sou médico especialista em hormonologia e casado há trinta anos. Contra o nosso desejo, depois de dois anos de casamento ainda não tínhamos filhos. Por obediência à Igreja, tínhamos posto de lado a hipótese de uma fecundação in vitro… apesar desta decisão não ter sido fácil!
No dia da ordenação diaconal de um dos nossos amigos, pedimos-lhe: “François, reza para que tenhamos um bebê!”. A Marie-Joséphine foi concebida dois meses depois da cerimônia. François é o seu padrinho.


Nos casamos, como a maior parte dos casais, convencidos de que não iríamos esperar muito para termos uma família. Mas, depois de vários meses de espera, tivemos que nos render à evidência de que não iríamos ter a felicidade de ter um bebê… Fizemos, é claro, todos os exames possíveis e imagináveis, submetemo-nos a vários tratamentos… sem resultado. A prova foi dolorosa: cada nascimento que havia à nossa volta era uma nova forma de sofrimento.
Então, muito lentamente, começamos a pensar na adoção. Tínhamos rezado muito para termos um filho e ao mesmo tempo sentíamos que esta oração nos preparava para viver algo diferente. Foi um trabalho interior de luto que demorou bastante tempo. Compreendi que estava no bom caminho quando consegui ocupar-me outra vez dos filhos dos outros com serenidade.

Seremos capazes de o amar?

Mas ainda estávamos cheios de medo: seríamos capazes de amar verdadeiramente uma criança por ela própria, uma criança em quem não poderíamos nos reconhecer, uma criança que teria sempre uma parte misteriosa, uma origem, uma história completamente desconhecida? E se depois tivéssemos um filho nosso, seríamos capazes de o amar da mesma forma?
Uma frase pequena e muito simples ajudou-nos muito nessa época: “Logo que virem uma criança estender-vos os braços dizendo “Mãe, Pai!”, não sentireis mais medo!” E foi isso o que aconteceu! (Passamos por cima dos detalhes de todos os trâmites, encontros, reencontros, inquéritos, esperas …) Miriam chegou-nos da sua Índia natal. Não sabíamos nada dela além do seu nome e da sua data de nascimento. Mas, de repente tivemos a sensação de a conhecer desde sempre: ela tornara-se a “carne da nossa carne”. Terão sido sem dúvida as nossas orações por ela enquanto a esperávamos que nos terão unido de forma tão profunda.
Ficamos verdadeiramente contentes por descobrir em nós toda esta capacidade de amar: muitos dos nossos medos acabaram depressa. Percebemos que Deus nos tinha dado uma oferta extraordinária que agradecemos todos os dias: adotar uma criança não é um mal menor, mas uma graça especial.

Hoje sabemos que os pensamentos de Deus estão bem acima da nossa forma de encarar as coisas, porque são para nosso bem, embora pese o sofrimento que Ele nos ensina a oferecer-Lhe e que Ele torna fecundo.

Michel e Marie-Hélène

PS: Preparamo-nos para viver outra aventura, uma vez que esperamos um irmãozinho para a Miriam dentro de algumas semanas.

29. E a superpopulação? justifica que se obrigue os países pobres a não ter filhos?

  • Uma pressão enorme tem sido exercida sobre as populações dos países pobres no sentido de diminuírem a sua taxa de natalidade. A maior parte das vezes são medidas obrigatórias e absolutamente contrárias ao respeito pela pessoa humana. Por exemplo, em algumas sociedades para poder ser aceita num emprego a pessoa precisa apresentar um exame que comprove esterilidade … Os organismos financeiros internacionais muitas vezes impõem como condição para sua ajuda a adoção de tais métodos. Mas a difusão da “mentalidade anticoncepcional” nos países pobres não advém da nossa genuína preocupação de os ver sair das garras do subdesenvolvimento, mas sobretudo da angústia dos países ricos perante a ameaça de um aumento incontrolável da população que venha pôr em perigo a riqueza. E não se lê hoje, um pouco em todo lugar, que o aumento demográfico do Terceiro Mundo é um atentado, talvez o maior de todos, à preservação do ambiente?
  • “Eles são assim tão pobres porque são demasiado numerosos.” Esta afirmação decorre das teorias malthusianas (do nome do economista inglês do séc. XVIII, Malthuser), que ainda hoje vigoram. Nesta perspectiva, a solução para o problema estaria na relação “menor população/melhor nível de vida”.
  • É verdade que um crescimento demográfico excessivo pode impedir o desenvolvimento (1). Mas este, de início, já está sujeito a situações de injustiça econômica, a um subdesenvolvimento crônico da agricultura e a uma insuficiente vontade política. Alimentar vinte bilhões de homens é tecnicamente possível com as riquezas atuais do nosso planeta. O problema está em que os países pobres não têm os meios para comprar ou produzir os produtos alimentares de que necessitam.
  • Examinemos agora a afirmação inversa: “Eles são demasiado numerosos porque são muito pobres.” Todos sabemos que na maior parte das civilizações as crianças sempre foram consideradas como a principal fonte de riqueza: no presente, porque constituem a mão-de-obra mais barata e no futuro, porque elas assegurarão a sobrevivência dos seus pais. Tal como diz um documento da Conferência Episcopal alemã: “Reduzir o número de crianças sem fazer desaparecer as causas que levam os pais a desejarem muitos filhos, significa privar os pobres da sua única esperança.”
  • Deste ponto de vista, a pílula será um bem? Em nossa opinião a promoção que lhe está sendo feita nos países pobres apoia-se numa visão limitada da liberdade e da solidariedade. E o que ainda é pior, as mulheres nem sempre gozam do direito de serem informadas sobre os defeitos dos produtos que ingerem. Certos anticoncepcionais continuam a ser vendidos nos países do Terceiro Mundo quando já estão proibidos nos Estados Unidos e na Europa: será que há duas justiças, uma para os países ricos e outra para os países pobres? Além disto, a promoção anticoncepcional é muitas vezes contrária às tradições culturais e religiosas das populações, deste modo, estas precedem ou juntam-se à Igreja na defesa do direito inalienável à vida.
  • Para concluir, lembremos que a Igreja não se limita à crítica. Pelo contrário, encoraja viva e eficazmente a planificação familiar natural que, contrariamente a idéias preconcebidas, se alicerça sobre bases científicas sólidas (ver Q 26). O seu ensino é fácil, pois repousa sobre uma simples auto-observação da pessoa e custa apenas o preço de um termômetro! A Madre Teresa, entre outros, ensina habitualmente este método às populações mais carentes. É uma solução a longo prazo e que coloca a pessoa humana em primeiro lugar.

(1) Solicitude rei Socialis nº 25.

28. Por que querer que uma criança deficiente viva?

A sua vida será feliz ou infeliz? Isso não depende da gravidade da sua deficiência. Isso não depende do número de células do seu cérebro. Depende sim daqueles que a rodeiam pois o essencial da felicidade, para ela como para cada um de nós é amar e ser amado.

A criança chegou. Ela não sabe de todo o drama que se vive à sua volta, mas pressente-o através de todas as fibras do seu ser. Pela tonalidade da voz, pela doçura ou indiferença dos gestos, pelo tempo, calmo ou angustiado que lhe é concedido, ela sabe se é acolhida ou rejeitada, Mesmo aquela criança cuja deficiência parece ter invadido todo o seu ser, acreditamos firmemente que é uma pessoa. Quantos pais, como por exemplo o filósofo Emmanuel Mounier, perante a sua pequenina Françoise cuja inteligência parecia completamente morta, pressentiram uma presença que os chamava a um acréscimo de amor, de esperança e de ternura.

Mas entregues à sua solidão muitos pais sentem-se quase incapazes deste amor incondicional. Necessitam ser rodeados por um grupo de amigos. Cada um de nós pode se tornar um desses amigos.

Testemunho

No ano em que fiz 33 anos, pus no mundo o nosso terceiro filho, uma pequenina a quem tínhamos decidido chamar Maria. Quinze minutos depois do seu nascimento a pediatra veio me comunicar que o nosso bebê sofria de trissomia 21 (nome científico da síndrome de Down). Nada fazia prever esta deficiência: eu não tinha julgado necessário submeter-me à exame de pesquisa desta deficiência, não estando na faixa etária considerada Òde riscoÓ. De qualquer forma o meu marido e eu tínhamos decidido que, qualquer que fosse a deficiência que pudesse atingir um dos nossos filhos, recusaríamos o aborto. Depois do primeiro choque, fiquei aliviada por nada ter sido detectado na fase pré-natal, pois assim passei pelo menos uma gravidez mais calma.

Logo no início, recebi sem dúvida uma graça especial, pois não me senti arrasada: já tinha trabalhado com crianças portadoras desta síndrome, sabia que a sua deficiência pode ser pequena, que são crianças particularmente meigas e que podem muito bem ser integradas num meio normal.
Mas o meu marido ficou arrasado. Sentia-se incapaz de acolher a Maria, preferindo que nos separássemos dela legalmente o mais rapidamente possível… As nossas famílias tiveram de imediato a mesma reação. E um sentimento de pânico acabou por me atingir também. Por que esta criança? Por que a nós? Na minha faixa etária, em 750 bebês há o risco de que um nasça com trissomia 21, e tinha acontecido justo conosco. Que fazer? Como iriam reagir os nossos dois filhos mais velhos? E os nossos vizinhos e conhecidos? Como seria o futuro?

Se tens coragem para isso, eu também…

Felizmente a minha mãe deu-me o telefone do Secretariado Cristão dos Deficientes… Telefonei imediatamente, expliquei a situação. No dia seguinte uma pessoa veio me visitar no hospital e pude expor-lhe todos os meus problemas. Ela explicou-me que se o desenvolvimento destas crianças é mais lento que o das crianças normais, elas podem, contudo, começar a andar por volta dos dois anos, deixar de usar fraldas aos dois anos e meio, ir à escola infantil com as outras crianças. São muito sociáveis, geralmente gostam muito de música (detalhe importante pois o meu marido é músico) e se a idade mental não ultrapassa os 8 anos, podem apesar disso fazer a escola primária numa sala de ensino especial ou ser acolhidos em estabelecimentos especializados e adaptados a elas.

Esta pessoa voltou a visitar-nos diariamente. Ao fim de uma semana, expliquei ao meu marido que acreditava ter a força necessária para ficar com a Maria. Se tens coragem para isso, respondeu ele, eu também posso ter… Ele percebia que se abandonássemos a Maria, eu nunca mais voltaria a ser feliz como antes. Então voltamos para casa com a Maria. Ela foi um bebê muito calmo, e logo conseguiu dormir a noite inteira. Claro que as nossas famílias ficaram totalmente desconcertadas com a nossa decisão, mas quando as fomos visitar pela primeira vez foram conquistadas pela carinha e pelo encanto da Maria.

Suportes para o futuro

A nossa menina tem agora um ano e eu devo constatar que por enquanto a vida não é mais difícil do que era antes. Pelo contrário, sentimo-nos comovidos pela atenção e delicadeza dos que nos rodeiam, em relação a ela: Todos nos perguntam por ela e se alegram com os seus novos progressos.
Como nós vemos o futuro? Sem grandes apreensões, pois sentimo-nos apoiados tanto no aspecto médico como pessoal.
Há atualmente muitas pesquisas e experiências realizadas com o fim de estimular e integrar crianças com trissomia: a Maria se beneficia, por exemplo, de sessões de fisioterapia a domicílio, que a ajudam a fortificar os seus músculos. Por outro lado, contamos com o apoio do movimento cristão Fé e Luz, fundado especialmente para as crianças deficientes e suas famílias, o que nos ajudará a não nos sentirmos sozinhos diante das dificuldades que, sem dúvida, teremos nos próximos anos.

Um trunfo para os nossos filhos mais velhos

Experiência sem dúvida paradoxal, a de descobrir que a felicidade pode brotar da dificuldade vivida com a ajuda de Deus, pois nós somos verdadeiramente felizes. Maria transmite-nos uma mensagem essencial, que consiste em saber para além de todo o sucesso intelectual e social, toda a pessoa tem valor por si mesma. Os nossos dois filhos ficaram sensibilizados a esta mensagem e ela será certamente um trunfo no seu futuro.

Annie

27. O aborto, claro que não è, o ideal… Mas em alguns casos…?

Abortar é fazer cessar a vida de um embrião, ou seja de um ser humano. Ainda que seja feito por um médico, é um crime de morte.

  • Mas as conseqüências do aborto também são graves para a mãe: a abertura forçada do colo do útero, a interrupção súbita da produção hormonal do ovário têm realmente um efeito muito violento que pode levar a desequilíbrios físicos e psicológicos, cuja repercussão nem sempre se avalia.
  • Além disto, abortar é muitas vezes a solução a curto prazo de um problema que permanece por resolver: aquela relação precária, uma confiança traída, uma ação impensada provocada por uma carência afetiva, etc… O aborto leva apenas ao agravamento do sofrimento interior da mulher e a sua marca permanece consciente ou inconsciente, de forma indelével.
  • Mas se a mulher não pode assumir essa gravidez? – poderão dizer-me. Efetivamente, ficar grávida depois de um estupro ou de uma relação perfeitamente ocasional, pode representar uma catástrofe. Mas será razão suficiente para provocar outra? O assassinato de um ser humano, mesmo no estado embrionário, é em si mesmo uma catástrofe. E que ainda por cima não é fácil de assumir. É um ato que pode ficar marcado na carne, ainda mais profundamente que na memória consciente e provocar perturbações graves: culpabilidade da qual não se consegue libertar, agressividade contra o marido, o amigo ou os homens em geral, angústia na vida sexual, que pode ser vista a partir de então como “perigosa”, medo de nunca mais poder ser uma “boa mãe” depois de ter “feito aquilo”, etc.
  • Então, numa situação de sofrimento, que fazer? Em primeiro lugar saber que existem apoios possíveis e que não se está obrigatoriamente sozinha perante esta provação. Jovens mães aceitaram acolher o seu filho (tel.:(085) 226-7239) contando com a ajuda de algumas pessoas ou famílias que as ajudaram moral e materialmente. Elas podem testemunhar que a sua vida não ficou por isso estragada, muito pelo contrário: essa criança foi freqüentemente uma etapa essencial na sua evolução para uma vida mais madura, mais responsável e foi fonte de uma verdadeira realização pessoal.
  • Se surge como realmente impossível assumir uma maternidade, há uma solução legal que não tem nada de condenável, ainda que à primeira vista possa parecer delicada: a jovem mãe pode escolher dar o seu filho após o nascimento, às instituições reconhecidas legalmente, que por seu lado entregarão o bebê a pais adotivos. É um ato de coragem, de lucidez e de amor para com aquela criança, e devemos dizer contra todas as vozes que inconscientemente se poderiam levantar para condenar. É bom que saibamos que há nos nossos países vários milhares de casais que em cada ano desejam adotar uma criança, sem o conseguir. Há pois muitas chances que o bebê encontre uma família onde conhecerá a felicidade. Nestas circunstâncias uma criança “não desejada” não é obrigatoriamente destinada à infelicidade.
  • Para o Senhor nada se perde. Se tomamos consciência de que cometemos um erro grave, o perdão de Deus (dado no sacramento da Reconciliação) abre-nos de novo as portas da Paz e da Alegria (ver Q 39). Jesus não veio para condenar; Ele vai procurar a ovelha perdida entre os espinhos, põe-na nos ombros e cura-a.
Testemunho

Quando a minha mãe estava grávida de mim, adoeceu gravemente e foi hospitalizada. O método aconselhou-a imediatamente a abortar por causa dos riscos de má formação que a doença podia provocar.

Mas os meus pais recusaram por causa da sua fé e decidiram aceitar aquela criança ainda que ela fosse deficiente. Pediram a uma religiosa para rezar especialmente pela criança que ia nascer. Ela prometeu que ia fazer, mas morreu algum tempo antes do nascimento.
Nasci sem nenhuma má formação! A minha única pena é não ter conhecido a pessoa a quem devo, sem dúvida, a graça de ser uma criança normal…

 Megumi

26. E os “métodos naturais de controle da natalidade”? de que se trata?

Trata-se de um conjunto de métodos que se baseiam na observação do ciclo feminino. Com efeito, num ciclo normal, a mulher só é fértil num determinado número de dias. O seu corpo, quando se prepara para um eventual acolhimento da vida, emite um certo número de sinais que podem ser observados com um pouco de atenção: uma subida da temperatura, de alguns décimos de grau, depois do momento da ovulação, a presença de uma substância que se chama muco cervical (ver Q 24), da qual se podem recolher algumas gotas à entrada da vagina, e observar a sua consistência.

  • Estes sinais permitem portanto, que a mulher saiba quais são os seus períodos de fertilidade ou de infertilidade(1). Se o casal deseja um filho, poderá unir-se prioritariamente nos períodos de fertilidade. Se o casal não o deseja, irá escolher os períodos de infertilidade.
  • Este método conduz a Òtempos de amor” diferentes: tempo de união física e tempo em que o amor se exprime de forma diferente. A maioria dos casais que utilizam os métodos naturais constatam que esta alternância desenvolve um domínio de si mesmo, mais diálogo e compreensão mútua. O acolhimento do outro em todas as suas dimensões, o respeito pela capacidade de dar a vida, da mulher assim como do homem, conduzem a um amor maior e mais profundo. Por fim, o desejo em vez de se enfraquecer, renova-se.
  • Quando estes métodos são bem aplicados, são extremamente confiáveis. Claro que é necessário ser muito regular nas observações, e a ajuda do marido, o seu interesse na prática deste método tornam-se indispensáveis. E não é extraordinário e muito mais saudável compreender o que se passa no nosso corpo e viver ao seu ritmo?

25. A pílula ou as estações do amor?

«A pílula não é um “produto verde”. Tendo em conta as taxas de hormônios de que é composta, deveria ser banida do mercado pelos ecologistas…»
De qualquer maneira, é verdade que a pílula anti-concepcional tem por objetivo bloquear por produtos químicos o processo fisiológico da mulher para a tornar estéril.

  • A diferença em relação aos métodos naturais de controle da natalidade, é que estes últimos permitem, sem suprimir o ritmo fisiológico, conhecer com precisão a sua evolução: a alternância entre os períodos em que a mulher não é fértil e os períodos em que ela é capaz de dar a vida.
  • Num casal, para o homem amar verdadeiramente a sua mulher, não pode reduzi-la permanentemente, pela pílula, a um estado que não passa de uma parte de si mesma. Que traz aliás, conseqüências psicológicas e por vezes médicas.
    Amar é reconhecer e acolher o outro em todas as suas dimensões: o seu olhar, e o seu corpo. Os seus sentimentos, os seus gostos, toda a sua personalidade. A sua alma e as suas aspirações ao que é belo, bom, verdadeiro. A sua dimensão de eternidade.

E a sua abertura à vida com esta capacidade de dar a vida em certos períodos. Esta alternância feminina não é um erro da natureza!

  • No casal que acolhe as estações do ritmo feminino como uma riqueza que faz parte do ser da mulher, o homem permite à sua esposa ser verdadeiramente mulher. E assim também o homem ganha a sua verdadeira dimensão. Eles podem escolher dar a vida, de maneira responsável. Podem também espaçar o nascimento dos seus filhos. Conhecer o renascer do desejo e todos os tempos diferentes do afeto com que escrevem a história do seu amor.
Testemunho

Catherine – No princípio do nosso casamento, não querendo ter filhos logo, comecei a tomar a pílula. Era o método de que mais tinha ouvido falar. O médico que eu tinha consultado não me tinha proposto outro método porque, depois do exame, a pílula não era contra-indicada para o meu caso.

Marc – Fosse qual fosse a escolha da minha mulher, era problema dela. Não imaginava que isso pudesse dizer-me respeito. Os meses iam passando e começamos a desejar um filho.

Catherine – Assim, parei de tomar a pílula. Mas tive que esperar um ano e meio antes de poder conceber. O tempo parece longo quando o desejo cresce.

Marc – Finalmente tivemos uma menina. Este nascimento tão esperado e a nossa conversão aproximaram-nos muito um do outro e foi juntos, desta vez, que quisemos procurar um novo método de controle da natalidade porque não queríamos voltar a usar a pílula.

Catherine – O médico propôs-nos o DIU. Mal informados, optamos por esta solução. Ora, dois dias antes da sua colocação, uma amiga explicou-me que se trata de um micro-abortivo. Portanto, renunciamos a este método.

Marc – Alguns amigos falaram-nos, então, dos métodos naturais de controle da natalidade. Documentamo-nos e experimentamos de boa vontade a sua aplicação.

Catherine – Da minha parte, via este método com uma certa apreensão: medir a temperatura todas as manhãs, observar a mucosa uterina, anotar tudo num caderno, parecia-me muito difícil… Como queríamos um segundo filho, não éramos muito rigorosos. E, de fato, seis meses depois, eu estava grávida e tivemos um rapazinho. Mas depois deste nascimento tornava-se importante ser mais vigilante. Decidi, portanto, retomar seriamente este método. Até o presente, ainda não tinha comprometido toda a minha vontade. Nessa altura, o que acontecera foi ter tido a impressão de viver uma situação um pouco difícil em vez de ser responsável e dona da mesma situação.

Marc – De minha parte, tomei consciência de que devia dar à Catherine a minha atenção e o meu apoio. Descobri pouco a pouco o ciclo feminino, este trabalho maravilhoso que é feito no corpo humano para acolher a vida e progressivamente, aceitava mais livremente os períodos de continência necessários. Pouco a pouco descobrimos toda a riqueza humana e espiritual do amor conjugal mergulhado num diálogo verdadeiro, na transparência, no reconhecimento do outro em tudo o que é chamado a ser. Esta abstinência torna-se fonte de alegria, de ternura, de caridade.

Catherine – Para mim, a partir do momento em que decidi verdadeiramente medir a minha temperatura, observar o muco, anotar, tornarva-se muito mais fácil. Descobria por outro lado todo um conjunto de sinais de que não tinha percebido antes. No fim de alguns meses sabia identificar cada período do meu ciclo. Os esforços do Marc para me ajudar, a sua atenção e a sua escuta encorajavam-me à perseverança. Descobri de minha parte, que também eu tinha que o respeitar: nos períodos de encontro possível, tinha o cuidado de não estar muito cansada, organizando melhor o meu trabalho para estar disponível, ser toda acolhimento e toda oferta.

Marc – Passaram-se três anos até o nascimento do nosso terceiro filho. Foi para nós uma grande alegria saber que num período fértil, a nossa união ia permitir a vida. Foi de comum acordo que oferecemos o nosso amor a Deus para que Ele o tornasse fecundo pela terceira vez.

24. Em que momento começa a vida humana?

que nunca mais se repetirá na história do mundo. Mas retomemos um pouco as diferentes etapas que permitem este momento extraordinário:

  • No homem, a glândula hipófise controlada por sua vez pelo cérebro, comanda a fabricação, a partir da puberdade, de cerca de 100 milhões de espermatozóides por dia. No decurso de uma relação sexual, entre 200 e 300 milhões destes espermatozóides são depositados no corpo da mulher ao fundo da vagina, perto do colo uterino. A entrada dos espermatozóides no útero é possível se nesse período concreto do ciclo feminino o colo do útero se abrir e segregar um líquido particular, o muco cervical (ou corrimento), que permitirá a condução dos espermatozóides até ao óvulo.
  • Por seu turno, a mulher, no decurso de cada ciclo menstrual, prepara, sob o comando da hipófise, um óvulo situado num folículo. Quando este está maduro, o folículo se abre deixando sair o óvulo que é então aspirado pela extremidade da trompa. Está então apto a encontrar um espermatozóide.
  • Desde o encontro do óvulo e do espermatozóide – primeiro instante da vida – já não há a menor descontinuidade entre este instante da fecundação e o que cada um de nós é hoje. É por isso que tudo o que atinge o embrião, seja qual for a idade, é um atentado ao ser humano. Que o cérebro seja desenvolvido ou não nos primeiros momentos (as primeiras células cerebrais desenvolvem-se na quarta semana de gravidez) não tem muito a ver: o pequeno ser está constituído “em potência”, todos os elementos para o seu desenvolvimento estão presentes. É a vida de um ser humano único que já começou.

23. Então, acaso ou criação?

O Homem pode medir os seus limites, o seu fim. Está insatisfeito com esses limites, como se tivesse sido feito para mais. Então, “Quem te fez, Homem?”. É mais difícil do que imaginamos rejeitar a hipótese de Deus. Falar de “acaso” como o fizeram certos sábios não é no fundo deificar o acaso? Outros sábios fizeram notar que se o acaso conseguiu fazer o Homem a partir do Bing Bang, passando pelas estrelas e pelas primeiras células vivas, este acaso deve ter ganho a loteria milhões de vezes!

Outros que se consideram adeptos de um cientificismo ateu, deixam-se levar a divinizar a natureza, a evolução, a matéria… é difícil escapar…

Então, por que não aceitar um Deus inteligente em vez de um acaso imbecil? E se temos uma liberdade, por que não procurar este Deus que nos deixa livres para O reconhecer? E porque não ouvi-Lo dizer-nos: “Amo-te e se quiseres, prometo-te desde já uma eternidade de amor”?

O Homem, animal dotado de inteligência e de razão, desejoso de fazer o bem, capaz de amar e de ser amado, é mais do que o animal. Este ser único surge da terra e da evolução. Mas ele vai mais longe porque é chamado. É feito à imagem de Deus, chamado para O encontrar e encontrar a sua felicidade, em plena liberdade. É o que queremos dizer quando dizemos que ele tem uma alma espiritual.

DO INSTINTO À LIBERDADE
E AO AMOR

Face ao instinto do animal, o Homem dispõe de inteligência e de liberdade. Isto lhe dá a capacidade de fazer a sua vida, criar, inovar (os progressos tecnológicos), de produzir obras de arte. Ele pode adaptar-se a situações inéditas e múltiplas.
Ser livre, é poder não ser escravo do instinto, das paixões.
É a capacidade de não ser levado pelos acontecimentos.
Ser livre é decidir o que faço com vista a um objetivo, a um fim.
A liberdade não é dada de uma vez por todas. O Homem torna-se o que as suas escolhas fazem dele: ele é capaz de responder pelo que é. É a responsabilidade. O Homem, assim, tem um sentido a dar à sua liberdade. Graças a essa liberdade ele pode amar e é isso que o enche plenamente.

Acto de entrega a Maria – Papa Francisco

Bem-Aventurada Virgem de Fátima, com renovada gratidão pela tua presença materna unimos a nossa voz à de todas as gerações que te dizem bem-aventurada.

Celebramos em ti as grandes obras de Deus, que nunca se cansa de se inclinar com misericórdia sobre a humanidade, atormentada pelo mal e ferida pelo pecado, para a guiar e salvar.

Acolhe com benevolência de Mãe o acto de entrega que hoje fazemos com confiança, diante desta tua imagem a nós tão querida.

Temos a certeza que cada um de nós é precioso aos teus olhos e que nada te é desconhecido de tudo o que habita os nossos corações. Deixamo-nos alcançar pelo teu olhar dulcíssimo e recebemos a carícia confortadora do teu sorriso.

Guarda a nossa vida entre os teus braços: abençoe e fortalece qualquer desejo de bem; reacende e alimenta a fé; ampara e ilumina a esperança; suscita e anima a caridade; guia todos nós no caminho da santidade.

Ensina-nos o teu mesmo amor de predilecção pelos pequeninos e pelos pobres, pelos excluídos e sofredores, pelos pecadores e os desorientados; reúne todos sob a tua protecção e recomenda todos ao teu dilecto Filho, nosso Senhor Jesus.

Amém.

22. Será que o meu destino não está fixado desde o meu nascimento?

Parece legítimo que nos interroguemos sobre o nosso futuro, sobre o que vamos fazer da nossa vida. O recurso à astrologia, aos videntes, à numerologia, etc., pode conceber-se como uma resposta às situações que, em breve se apresentarão ou como uma espécie de antídoto contra o medo do futuro.
Na realidade, estas diversas práticas são crenças que, baseando-se em dados mais ou menos científicos, dão interpretações que não são racionais.

  • A astronomia, por exemplo, é uma disciplina científica; a astrologia é uma superstição, até mesmo uma fraude: os dados que ela utiliza tradicionalmente deverão ser provados, uma vez que se sabe que há dois séculos se descobriram 3 novos planetas no sistemas solar (Urano, Netuno, Plutão). Sabemos também que a posição dos signos do zodíaco varia pouco a pouco relativamente ao eixo da terra. Daqui resulta que a astrologia se baseia em dados que, cientificamente, não são fidedignos. Que crédito devemos dar então às interpretações que ela propõe para um mapa astral, por exemplo?
  • Para mim, o fato de interpretar coloca em si mesmo um problema: toda a interpretação se faz em função de um referen-cial. Ora sabemos que existem várias escolas, interpretando os dados astrológicos de maneiras diferentes; por que razão dar mais crédito a uma e não escolher a outra? Podemos mesmo desconfiar que a interpretação se aproxima da adivinhação… Quais são seus objetivos?
  • Poderemos ainda dizer que as previsões da astrologia acertam com relação a esta ou aquela pessoa… Num número considerável de “previsões”, não é inconcebível que uma ou outra dêem certo, por acaso; e não é inconcebível que a pessoa que consultou o “vidente” tenha ficado fascinada, fechada no que lhe foi dito (ver testemunho seguinte)!
    Não esqueçamos também que os que consultamos podem ser capazes, ao observar um “cliente”, de diagnosticar as suas angústias, as suas esperanças e mesmo alguns traços importantes da sua personalidade: não se trata de vidência, simplesmente de um pouco de psicologia …
  • O que haverá de mais normal do que tomar o nosso futuro em consideração? Mas o medo do amanhã poderá justificar a crença nas superstições ou a renúncia à nossa liberdade? Fatalismos e pseudodeterminismos bloqueiam a nossa liberdade.

É compreensível que quando não se sabe a razão da existência, haja medo do amanhã; mas em vez de perdermos tempo com questões secundárias, não valerá mais a pena colocar as verdadeiras questões, as únicas que nos permitirão avançar?

Testemunho

Durante muito tempo fui uma apaixonada pela astrologia. Estava convencida de se tratar de uma fonte de conhecimento muito segura.
Como estava fazendo um curso de astrologia por correspondência, havia cada vez mais pessoas a pedir-me para lhes fazer um mapa astral. Ora um dia, uma mulher que o marido tinha acabado de deixar, veio procurar-me. Ela queria saber se haveria hipóteses que ele voltasse. Fiz o seu mapa astral e, prevendo que ele passava por um período muito confuso, dei-lhe a entender que era melhor interessar-se por outra coisa… Quinze dias depois soube que ela tinha se suicidado!
Para mim isto foi um choque terrível. Não teria eu influenciado esta mulher com as minhas conclusões e contribuído em parte para a levar ao desespero? Em vez de a ajudar a assumir o seu presente, não a teria esmagado pelas revelações de um futuro hipotético?
Depois deste dia, nunca mais toquei na astrologia.

Sabine

21. A felicidade, é estar bem com o seu corpo?

É sempre com admiração e uma certa inveja, que reparamos que alguém está “de bem com seu corpo”. De fato, o nosso corpo é por vezes bem incomodativo: tratamo-lo mal e com desprezo, tentamos apagar ou esquecer o que nos desagrada, ou então suprimimos uma característica demasiado feminina (ou masculina) difícil de aceitar… Às vezes, pelo contrário, há uma procura desenfreada daquilo que nos poderá embelezar, ou tornar-nos aceitáveis aos olhos dos outros… ou então a imitação de modelos que a publicidade, as revistas, a moda nos propõem como ideais, como chave da realização pessoal. De fato, esses modelos seduzem-nos – foi para isso que eles foram criados – e nós procuramos de forma mais ou menos consciente, correspender a esses ídolos… Trabalho por vezes difícil, no fim do qual não está a felicidade.

  • Então por quê? O meu corpo tem uma razão de ser, e através do olhar, das atitudes, das palavras, das roupas e das cores que visto, exprime quem eu sou. E isto eu bem sei. Mesmo se o meu corpo não revela tudo, se o mais íntimo de mim mesmo está protegido por ele, o corpo é o primeiro contato com os outros, de quem eu temo o julgamento e a rejeição…
    No fundo, se acontecer de ter medo do outro é porque duvido de mim próprio ou não me conheço, ou então porque não gosto verdadeiramente de mim. Tal como sou, podiam não gostar. Então não será melhor esconder-me?
  • Mas sabes, existe em ti uma beleza, talvez escondida: a tua verdadeira beleza. Ela merece ser trazida à superfície para a desenvolveres… e te tornares tu mesmo. A felicidade é também estar unido em si mesmo e estar em verdade consigo próprio e com os outros. Isto passa por uma reconciliação profunda consigo mesmo e pela aceitação do próprio corpo tal como é, único, como o é o coração. Então este corpo reconciliado poderá em liberdade e no seu estilo próprio dizer alguma coisa sobre mim, na minha originalidade.
  • Nunca aconteceu a vocês ficar maravilhados com o rosto de um doente ou o comportamento de um deficiente na sua verdadeira beleza? Que perspectiva magnífica poder trabalhar e transformar-se em si próprio!… E Deus pode ajudar-te nisso se Lhe permitires.

“O homem vê as aparências
mas Deus vê os corações”

(Livro de Tobias)

Testemunho

Durante muito tempo rejeitei o meu corpo por causa de uma cicatriz de queimadura que tenho no ombro desde a infância. À medida que ia crescendo ia-me sentindo cada vez mais incomodada pelo olhar dos outros, sempre que estava de roupa de banho ou com vestidos de verão. Depois veio a adolescência, período em que o meu corpo se transformou sem que eu o pudesse impedir. Nessa época, o meu corpo ainda me parecia mais estranho.

Alguns anos mais tarde, mudei-me para Paris: tinha-me tornado uma leitora fiel de revistas femininas, onde não é possível passar uma página sem que nos mostrem e falem do que é uma mulher “ideal”. A isto eram somados os anúncios publicitários sempre presentes nas paredes, mostrando corpos de mulheres. Tinha chegado ao ponto de não me suportar. Ainda por cima, tinha um medo enorme de engordar um grama que fosse, visto que toda a gente me elogiava pela minha elegância… Tudo isto transformava a minha existência num pesadelo!

Foi neste contexto que eu me converti. Uma das primeiras coisas que eu descobri foi que a verdadeira beleza é a do coração. Dei-me conta, pouco a pouco, que a rejeição do meu corpo escondia uma necessidade muito profunda de amar e ser amada. A partir do momento em que soube que Deus queria preencher esta espera, consegui aceitar-me melhor como era.

Tenho o desejo de casar e a preocupação com o meu físico ainda está muito presente, porque sei que os rapazes são sensíveis a isso. Mas peço a Deus que me faça dar ao meu corpo o seu devido lugar, para não me tornar escrava dessa preocupação. Peço-lhe também que desenvolva em mim esta beleza do coração, para a irradiar à minha volta.

Laure

20. O Homen, descendente do macaco?

Confundimos muitas vezes duas questões: “Quem é o Homem ?” “Como é que o Homem surgiu na História do mundo?”. A paleontologia e diversas ciências podem propor-nos algumas indicações para a história do aparecimento do Homem no vasto paineI da evolução. Mas estas ciências deixam sem resposta questões que as ultrapassam: “Por que o Homem como produto final ?”, “Quem é o Homem ?”

O desenrolar da evolução

  • Imaginando que a resposta a estas questões se encontra nos nossos antepassados, um certo número de pessoas estão ainda aterrorizadas pela idéia de que o homem descende do macaco. Ora o macaco não é o antepassado do homem, mas antes um primo subdesenvolvido muito antigo. A linha dos Hominídeos – de que o Homem é originário – e a linha dos macacos provêm ambas dos primatas. Assim, seria preferível dizer que o Homem descende do animal, mas que beneficiou claramente melhor vitaminas e fósforo que o golfinho ou o gorila que não acompanharam o desenrolar da evolução!

Quem sou eu?

  • Alguns temem, outros afirmam que o parentesco do Homem com o Reino Animal negaria o fato de Deus o ter criado. Poder-se-ia responder dizendo que a Bíblia – no seu primeiro livro, o Gênesis propõe uma tese evolutiva ainda mais radical do que a que faz descender o Homem do macaco, visto que aí o Homem é tido como “descendente da terra”…
    Mas na realidade, não é isso que está em causa. O que Deus convida a meditar através destas narrativas antigas da Bíblia (bem anteriores a todas as descrições científicas), reside nestas perguntas: quem é o Homem, afinal de contas? Por que razão o Homem foi criado? Quem o chama e para onde é que ele vai? “Deus criou o Homem à Sua imagem … homem e mulher os criou. Abençôou-os” (Gn 1,27). É interessante saber que se colocarmos a Deus a questão: “Quem é o Homem?” Ele nos responde: “É semelhante a mim!” Mas se perguntarmos ao Homem: “Quem és tu?”, que poderia ele dizer de si proprio?
  • Pela sua biologia, o homem percebe que é quase completamente animal; pela sua fisiologia sente-se próximo deles; mas pelo seu patrimônio genético, ele é especificamente diferente.
  • No entanto, o homem é radicalmente diferente do animal pela sua inteligência. E mais do que a inteligência em si e do que a multiplicidade das suas capacidades, o homem possui algo de único no mundo: é o único ser do universo capaz de reflexão sobre si próprio. Só ele pode colocar a questão: “Quem sou eu?”
    Ele tem a capacidade de juízo, de percepção do que os outros fazem de bem ou de mal. Ele julga em si mesmo o bem ou o mal que realiza.
    Pelas suas tentativas mais ou menos perfeitas de definir a justiça nas relações e o que chamamos “os direitos do homem”, o Homem manifesta também na sua própria consciência que possui uma dignidade, um direito à vida, uma exigência de respeito pelo próprio fato de pertencer à espécie humana.

Mas, para saber verdadeiramente quem é o Homem, coloca-se agora a questão: Por que foi criado? Isto é: “Para onde vai o Homem?” (ver também Q 23).