27. O aborto, claro que não è, o ideal… Mas em alguns casos…?

Abortar é fazer cessar a vida de um embrião, ou seja de um ser humano. Ainda que seja feito por um médico, é um crime de morte.

  • Mas as conseqüências do aborto também são graves para a mãe: a abertura forçada do colo do útero, a interrupção súbita da produção hormonal do ovário têm realmente um efeito muito violento que pode levar a desequilíbrios físicos e psicológicos, cuja repercussão nem sempre se avalia.
  • Além disto, abortar é muitas vezes a solução a curto prazo de um problema que permanece por resolver: aquela relação precária, uma confiança traída, uma ação impensada provocada por uma carência afetiva, etc… O aborto leva apenas ao agravamento do sofrimento interior da mulher e a sua marca permanece consciente ou inconsciente, de forma indelével.
  • Mas se a mulher não pode assumir essa gravidez? – poderão dizer-me. Efetivamente, ficar grávida depois de um estupro ou de uma relação perfeitamente ocasional, pode representar uma catástrofe. Mas será razão suficiente para provocar outra? O assassinato de um ser humano, mesmo no estado embrionário, é em si mesmo uma catástrofe. E que ainda por cima não é fácil de assumir. É um ato que pode ficar marcado na carne, ainda mais profundamente que na memória consciente e provocar perturbações graves: culpabilidade da qual não se consegue libertar, agressividade contra o marido, o amigo ou os homens em geral, angústia na vida sexual, que pode ser vista a partir de então como “perigosa”, medo de nunca mais poder ser uma “boa mãe” depois de ter “feito aquilo”, etc.
  • Então, numa situação de sofrimento, que fazer? Em primeiro lugar saber que existem apoios possíveis e que não se está obrigatoriamente sozinha perante esta provação. Jovens mães aceitaram acolher o seu filho (tel.:(085) 226-7239) contando com a ajuda de algumas pessoas ou famílias que as ajudaram moral e materialmente. Elas podem testemunhar que a sua vida não ficou por isso estragada, muito pelo contrário: essa criança foi freqüentemente uma etapa essencial na sua evolução para uma vida mais madura, mais responsável e foi fonte de uma verdadeira realização pessoal.
  • Se surge como realmente impossível assumir uma maternidade, há uma solução legal que não tem nada de condenável, ainda que à primeira vista possa parecer delicada: a jovem mãe pode escolher dar o seu filho após o nascimento, às instituições reconhecidas legalmente, que por seu lado entregarão o bebê a pais adotivos. É um ato de coragem, de lucidez e de amor para com aquela criança, e devemos dizer contra todas as vozes que inconscientemente se poderiam levantar para condenar. É bom que saibamos que há nos nossos países vários milhares de casais que em cada ano desejam adotar uma criança, sem o conseguir. Há pois muitas chances que o bebê encontre uma família onde conhecerá a felicidade. Nestas circunstâncias uma criança “não desejada” não é obrigatoriamente destinada à infelicidade.
  • Para o Senhor nada se perde. Se tomamos consciência de que cometemos um erro grave, o perdão de Deus (dado no sacramento da Reconciliação) abre-nos de novo as portas da Paz e da Alegria (ver Q 39). Jesus não veio para condenar; Ele vai procurar a ovelha perdida entre os espinhos, põe-na nos ombros e cura-a.
Testemunho

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Quando a minha mãe estava grávida de mim, adoeceu gravemente e foi hospitalizada. O método aconselhou-a imediatamente a abortar por causa dos riscos de má formação que a doença podia provocar.

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Mas os meus pais recusaram por causa da sua fé e decidiram aceitar aquela criança ainda que ela fosse deficiente. Pediram a uma religiosa para rezar especialmente pela criança que ia nascer. Ela prometeu que ia fazer, mas morreu algum tempo antes do nascimento.
Nasci sem nenhuma má formação! A minha única pena é não ter conhecido a pessoa a quem devo, sem dúvida, a graça de ser uma criança normal…

 Megumi

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