33. Não sou eu o único juíz daquilo que me diz respeito?

Foto di Dr StClaire da Pixabay

O homem foi criado livre e nele permanece sempre o gosto por essa liberdade que se exprime em particular nas suas escolhas e nas suas decisões. Podemos mesmo dizer que uma ação só é humana se for livre.

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Hoje em dia muitos consideram que são livres, ninguém tem nada que lhes dizer o que é bem ou o que é mal. Claro que aceitamos sempre uma ou outra regra: a de não cometer assassinatos ou de escandalizar uma criança, por exemplo, mas isto está longe de ser regra para todas as coisas.
Muitas vezes o nosso juízo está influenciado pela opinião e pelos comportamentos que estão na moda. É evidente que não é porque muitas pessoas têm uma opinião que ela é verdadeira. E sentimos bem que isto nem sempre está certo. Muitas vezes contra a nossa vontade nós nos envolvemos em caminhos, que, no fundo, reprovamos.
Nós não inventamos o bem e o mal. Eles não dependem da nossa opinião ou da dos outros. Há uma ordem no mundo (fala-se muitas vezes de “lei natural”), porque ela foi criada: é o que quer dizer o livro do Gênesis quando diz que o único mandamento que Deus deu no Jardim do Éden foi: “Tu não comerás do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. E pode-se dizer que o pecado original (ver também a Q 31) consiste na tentativa do homem de querer tomar o lugar de Deus para decidir, em seu lugar, acerca do bem e do mal.

Se, portanto, não inventamos nem o bem nem o mal, como os podemos reconhecer? Cada homem recebeu aquilo que chamamos consciência. Ela é “o centro mais secreto do homem, o santuário onde ele está sozinho com Deus e onde a Sua voz se faz ouvir” (1). É esta consciência que pode ajudar cada homem a orientar-se para o bem. Para isso, é necessário escutá-la. É preciso também iluminá-la, formá-la, através do hábito de praticar boas ações (virtudes), através da inspiração do Espírito Santo na oração – “Porei a minha Lei no fundo do seu ser e escrevê-la-ei no seu coração” (Jr 31,33). Por fim, através da escuta da Igreja que nos ajuda a discernir o bem e o mal à luz de Cristo.

(1). Concílio Vaticano II, A Igreja no mundo contemporâneo, §16

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